O cenário financeiro da Fórmula 1 vive uma transformação sem precedentes, com a valorização das equipes atingindo patamares estratosféricos. Quem melhor para analisar essa curva ascendente do que Flavio Briatore, figura icônica e com vasta experiência na gestão de escuderias? Em uma entrevista exclusiva para a série ‘In Conversation With…’ do The Race Business, Briatore não hesitou em projetar um futuro onde as equipes de F1 podem valer impressionantes US$ 10 bilhões, utilizando o caso da Alpine como um barômetro dessa escalada.
A discussão central gira em torno da participação minoritária de 24% da Otro Capital na equipe Alpine F1, que, segundo Briatore, é a prova cabal da explosão de valor. A venda potencial dessa fatia acionária revela não apenas o apetite do mercado, mas também a percepção de que a F1 se consolidou como um ativo de luxo e alta rentabilidade no esporte global.
A Escalada Financeira da Fórmula 1: De Milhões a Bilhões
A trajetória de Flavio Briatore na Fórmula 1 é um testemunho da evolução financeira do esporte. O empresário, que liderou a Benetton a campeonatos nos anos 90, recorda com clareza os valores de outrora. “Eu vendi minha parte na Benetton, e o valor da equipe era de US$ 80 milhões”, afirmou Briatore, contextualizando a dimensão da mudança. Hoje, esses números parecem insignificantes diante das avaliações atuais.
“Agora estamos falando de US$ 3,5 bilhões, US$ 4 bilhões. E todos estão prevendo, conversando com essas pessoas do mercado financeiro, que em três, quatro anos, uma equipe de Fórmula 1 valerá US$ 10 bilhões”, revelou Briatore. Essa projeção audaciosa sublinha a confiança dos investidores no crescimento contínuo da categoria, impulsionado por fatores como a expansão global, a popularidade nos Estados Unidos e a crescente base de fãs.
A pergunta sobre se as avaliações já teriam atingido o pico foi respondida com o humor característico de Briatore: “Se a equipe fosse minha, eu já teria vendido!”. A brincadeira, contudo, esconde uma verdade profunda sobre a dinâmica atual do mercado, onde o valor de um ativo é determinado pela demanda e pela percepção de seu potencial futuro.
O Caso Alpine: Um Barômetro do Mercado F1
A equipe Alpine F1, de fato, tem uma parte à venda no momento, e essa situação serve como um estudo de caso perfeito para a tese de Briatore. A Otro Capital, um grupo de investidores que inclui nomes de peso como os jogadores da NFL Patrick Mahomes e Travis Kelce, o golfista Rory McIlroy e o boxeador Anthony Joshua, adquiriu sua participação de 24% na Alpine por €200 milhões em junho de 2023.
Nos últimos meses, a Otro Capital buscou vender sua fatia, com a Renault (proprietária majoritária da Alpine) intervindo nas negociações. Quando a avaliação da Forbes para a Alpine, de US$ 2,45 bilhões (ou €2 bilhões), foi apresentada a Briatore, ele argumentou que a equipe valia ainda mais. “Não, não, nós valemos mais, porque temos uma oferta, temos uma [oferta] para os 24% da Otro, a avaliação [total da equipe] é de US$ 3,2 bilhões”, declarou. Isso significa que a equipe de F1 representa uma parcela significativa do valor da própria Renault, que está avaliada em €8,3 bilhões. “Estamos trabalhando com essa avaliação de US$ 3,5 bilhões. Então, estamos representando 40% ou 50% [do valor total da Renault]”, complementou, destacando a importância estratégica e financeira da equipe de F1 para a montadora francesa.
A Renault detém o direito de veto sobre qualquer mudança de propriedade das ações da Otro até setembro. O CEO da Renault, François Provost, expressou ao The Race que a relação com a Otro não foi “bem-sucedida”. No entanto, Briatore minimizou a relevância do prazo de setembro para a decisão de venda. Ele enfatizou que, dado o provável preço elevado, seria imprudente para um investidor gastar tanto em uma participação minoritária sem alinhamento com o parceiro majoritário, que detém todo o poder. “Não é realmente meu problema, isso é mais uma questão da Renault. Claro, para ter um parceiro de 24%, espero que alguém dê não apenas o financiamento, mas também alguma ajuda em tecnologia ou o que quer que seja”, pontuou Briatore. Ele concluiu que, para a equipe, a mudança de um parceiro minoritário para outro não faria diferença substancial no dia a dia das operações.
Análise Neax61
A visão de Flavio Briatore sobre a valorização das equipes de Fórmula 1 não é apenas uma projeção ambiciosa; é um reflexo da transformação da categoria em um fenômeno global de entretenimento e um ativo financeiro de elite. A entrada de grandes investidores, a expansão para novos mercados e a crescente audiência global solidificam a F1 como um dos esportes mais atraentes para capital. O caso da Alpine, com a busca por um novo parceiro minoritário e a disparidade entre as avaliações, ilustra a complexidade e o potencial explosivo desse mercado.
Para as próximas temporadas, a expectativa é que essa tendência de valorização continue, atraindo ainda mais capital e, possivelmente, novos participantes dispostos a desembolsar cifras bilionárias para entrar no grid. A gestão estratégica dessas equipes, equilibrando performance esportiva e retorno financeiro, será crucial. A F1 não é mais apenas corrida; é um império financeiro em plena expansão, e as palavras de Briatore servem como um lembrete contundente de seu poder econômico crescente.
