Na desafiadora atmosfera da Fórmula 1, poucos assentos são tão cobiçados e, ao mesmo tempo, tão exigentes quanto o segundo carro da Red Bull Racing. Ao longo dos anos, diversos talentos tentaram e falharam em se firmar ao lado do tricampeão mundial Max Verstappen. Contudo, a temporada de 2026 apresenta um cenário diferente, com o jovem francês Isack Hadjar demonstrando uma performance notável que tem chamado a atenção de especialistas, incluindo o ex-piloto e comentarista Anthony Davidson.
Após as 11 primeiras etapas do campeonato de 2026, Hadjar tem se mostrado consistentemente mais próximo de Verstappen do que muitos de seus antecessores. A média de sua desvantagem em qualificação é de pouco mais de dois décimos de segundo, um feito impressionante que se alinha e até supera a meta interna da Red Bull de um déficit máximo de três décimos. Essa consistência, aliada a resultados expressivos, posiciona Hadjar como um dos mais promissores parceiros de equipe de Verstappen desde a saída de Daniel Ricciardo no final de 2018.
O Desempenho que Redefine Expectativas na Red Bull
Desde que Daniel Ricciardo deixou a equipe de Milton Keynes (base da Red Bull Racing) em 2018, o segundo assento da Red Bull tem sido um verdadeiro “triturador de pilotos”. Nomes como Pierre Gasly, que durou apenas 11 corridas, e Alex Albon, que teve um ano e meio antes de ser substituído, ilustram a dificuldade de se manter no ritmo de Verstappen. Mesmo Sergio Pérez, que desfrutou de duas temporadas fortes e conquistou cinco vitórias, viu seu desempenho cair e acabou seguindo o mesmo destino.
Ainda mais recentemente, a equipe testou Liam Lawson por apenas duas rodadas no início da campanha de 2025, antes de trocá-lo por Yuki Tsunoda, que, embora ligeiramente melhor que o neozelandês, não conseguiu a consistência desejada. É nesse contexto de alta rotatividade e pressão que a estreia de Hadjar se destaca. O francês já acumulou 68 pontos na primeira metade da temporada de 2026, um número que supera confortavelmente o dobro dos 30 pontos que Tsunoda conseguiu em um número de rodadas duas vezes maior.
Anthony Davidson, em sua análise para a Sky Sports F1, ressaltou a importância desses números. “Acho que ele está indo muito, muito bem; melhor do que muitos pilotos da Red Bull conseguiram ao lado de Verstappen”, afirmou Davidson. “Em média, ele está pouco menos de dois décimos [mais lento] na qualificação, e ele conseguiu isso mais uma vez aqui. Então, ele deveria se orgulhar do que fez até agora.”
O Desafio Mental e a Busca pela Consistência
Enfrentar um piloto do calibre de Max Verstappen não é apenas uma questão de velocidade bruta, mas também um imenso desafio mental. Davidson enfatiza que a presença de Verstappen serve como um “parâmetro honesto” para qualquer piloto. “Subir ao lado de Max Verstappen sempre será um desafio muito difícil, mas é bom saber onde está o parâmetro como piloto”, disse Davidson. “Quando você começa nesta jornada, como todos nós fazemos como jovens kartistas, você gosta de pensar que é o melhor do mundo, e quando você chega à Fórmula 1, você encontra pessoas que são definitivamente tão boas quanto você, se não melhores, e mentalmente isso é um grande obstáculo a ser superado.”
Hadjar tem demonstrado lampejos de um potencial genuíno, qualificando-se na segunda fila em Melbourne (circuito do Grande Prêmio da Austrália) e conquistando seu melhor resultado com um quarto lugar em Mônaco (circuito de rua do Grande Prêmio de Mônaco). Esses resultados não apenas mostram sua capacidade de extrair performance do carro em diferentes tipos de pista, mas também sua resiliência sob pressão. A capacidade de manter o gap de qualificação abaixo de três décimos de forma sustentada, algo que nenhum dos companheiros de equipe de Verstappen desde Ricciardo conseguiu, é um testemunho da sua adaptação e talento.
A “experiência honesta” a que Davidson se refere é a de não ter onde se esconder. Em uma equipe como a Red Bull, com um carro de ponta e um companheiro de equipe dominante, o desempenho é exposto sem filtros. A forma como Hadjar tem lidado com essa exposição, transformando-a em resultados concretos, sugere uma maturidade e uma força mental incomuns para um piloto em início de carreira na equipe principal.
Análise Neax61
A performance de Isack Hadjar na primeira metade da temporada de 2026 representa um ponto de virada potencial para a Red Bull na gestão de seu segundo assento. A consistência em qualificação e a capacidade de pontuar regularmente, mesmo que ainda não no nível de Verstappen, são indicadores cruciais de que a equipe pode ter finalmente encontrado um parceiro estável para seu campeão. Este cenário não apenas alivia a pressão sobre a equipe para uma busca constante por pilotos, mas também permite um desenvolvimento mais focado do carro, sem a necessidade de compensar grandes disparidades de desempenho entre os pilotos.
O desafio agora para Hadjar será manter essa curva de aprendizado e desempenho. A Fórmula 1 é um esporte de altos e baixos, e a capacidade de sustentar a excelência ao longo de uma temporada completa e em diferentes condições de pista será o verdadeiro teste. Se ele conseguir manter o ritmo e continuar a entregar resultados que superem as expectativas, Isack Hadjar poderá solidificar sua posição na Red Bull e, quem sabe, se tornar um candidato a vitórias no futuro próximo, consolidando a dupla da equipe para os próximos anos.
