A decisão da McLaren de largar com pneus intermediários no GP do Canadá parecia uma jogada genial, mas se transformou em um verdadeiro pesadelo tático. O que tinha tudo para ser o grande pulo do gato da temporada esbarrou nas regras da Fórmula 1, em uma falta de sorte com a chuva e em um asfalto bem complicado. No fim, a equipe jogou fora pontos preciosos em uma corrida que tinha tudo para dominar.
O problema do asfalto e o susto de Lando
Tudo começou ainda nas voltas de alinhamento, quando os carros saem dos boxes e vão para o grid de largada. O Circuito Gilles Villeneuve estava perigoso e a equipe de Woking (a base da McLaren na Inglaterra) precisou lidar com um cenário bem difícil de prever.
Veja o que complicava a vida dos pilotos:
- Asfalto novo: A pista foi recapeada recentemente, o que deixou os níveis de aderência muito baixos. O carro escorregava fácil.
- Frio: A temperatura baixa dificultava muito o aquecimento da borracha para chegar na janela ideal de funcionamento.
- Retas longas: As famosas retas do Canadá faziam a pouca temperatura que os pneus ganhavam nas curvas se perder muito rápido por causa do vento.
O sinal vermelho acendeu de vez quando Lando Norris deu uma escapada forte em uma das curvas a caminho do grid. O susto foi tão grande que o britânico chamou a equipe no rádio e pediu na hora para colocarem os pneus intermediários (de chuva leve). Ele sentiu que a pista não ia aguentar os pneus slicks (aqueles totalmente lisos, para pista seca).
A regra dos 7 minutos e o azar com a chuva
O grande inimigo da McLaren não foi apenas a pista, mas o relógio. Existe um espaço de 20 minutos entre o momento em que os carros param no grid e a hora do hino nacional. E foi nesse meio tempo que o clima resolveu brincar com a equipe.
Andrea Stella, o chefe da McLaren, confessou que a equipe no muro dos boxes percebeu que a decisão dos pneus intermediários poderia dar errado conforme os minutos passavam. O problema é que eles estavam de mãos atadas por causa de algumas regras e detalhes de tempo:
A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) obriga as equipes a travarem a escolha de pneus exatos 7 minutos antes do sinal verde. Depois disso, não dá mais para trocar no grid.
Para o total azar da McLaren, a chuva parou de cair exatamente 5 minutos antes da largada. Ou seja, tarde demais para mudar de ideia.
A equipe não acha que fez uma aposta burra, mas sim que teve muito azar. Norris até hoje defende a ideia, dizendo que se chovesse “só 1% a mais”, a tática teria funcionado e todo mundo ia chamar a McLaren de heroína.
De gênios a idiotas em apenas três voltas
Se no papel a ideia até fazia sentido, na pista a realidade bateu forte. Oscar Piastri foi quem melhor resumiu o clima, avisando pelo rádio que a equipe logo descobriria se eles eram “gênios ou idiotas”.
A pá de cal na estratégia veio antes mesmo da corrida valer, graças a uma confusão da direção de prova. A largada precisou ser abortada, o que forçou os pilotos a darem três voltas de apresentação seguidas. Andar todo esse tempo em ritmo lento, com os carros espalhando a água, fez a pista secar muito mais rápido do que o previsto.
Nessa hora, Piastri sacou que o plano tinha ido para o ralo. Ainda durante essas voltas de apresentação, o australiano pediu pelo rádio para entrar nos boxes e colocar os pneus de pista seca logo de cara. Ele queria diminuir o prejuízo, mas a equipe negou o pedido e mandou ele seguir na pista.
Como o erro cobrou seu preço na corrida
O desastre aconteceu em três etapas muito claras:
- A ilusão inicial: Nas duas primeiras voltas da corrida, o pneu intermediário ainda tinha vantagem na tração. Isso fez Norris ser impressionantes 2 segundos mais rápido por volta que os adversários.
- O derretimento: Logo depois, com a pista seca, os pneus de chuva começaram a superaquecer e esfarelar. O ritmo da McLaren despencou.
- A conta chegou: Norris e Piastri foram obrigados a fazer paradas nos boxes totalmente fora da janela ideal de estratégia. Eles voltaram para a pista no trânsito, perdendo posições que não conseguiram recuperar depois.
Análise MotorBrasil
O que aconteceu no Canadá é a prova de que na F1 atual, insistir no erro custa muito caro. Em uma temporada que parece finalmente ter disputa de verdade, ficar preso a um plano que já deu errado custa pódios e vitórias. Se a McLaren quer brigar de igual para igual com gigantes como a Red Bull e a Ferrari pelo título, o muro dos boxes precisa ser tão rápido e ágil quanto o carro que eles colocam na pista.
